segunda-feira, 25 de abril de 2011

Um sonho em série

Quando criança tive um sonho que o tempo não me deixa esquecer.
Não que eu quisesse.Pois foi muito bom e interessante.
Estávamos em uma viagem em família.E ao lado direito podíamos ver um lago azul muito lindo.
E ao fundo havíam árvores de pinheiros cumpridos parecidos com aquelas do Canadá.
Uma paisagem belíssima!

Encantada,pedí para meu pai:

_´´Pai,posso ficar alí?Quero viver naquele lugar bonito.``

_´´Não minha filhinha.Não podemos.Precisamos chegar a tempo e já estamos atrasados.``

No meu sonho não sabía para onde estávamos indo.Só sei que quando acordei desejosa pensei:´´Eu quería tanto que aquele lugar existisse!``

Na pré-adolescência novamente sonhei com a mesma paisagem.Só que dessa vez meu pai parou o carro e descemos por um trilheiro.Todos os membros da família.Que na época éramos cinco.E nos deparamos com uma casa de madeira.E só podíamos conseguir acesso ao lago passando por uma escada que tinha do outro lado dessa casa.Pois bem,descemos a escada.Mas estranhamente não era mais lago era mar,e não era azul e sim verde.E havíam homens em barcos pescando.Era bonito mais não como quando vía lá da estrada.Decepcionada, me sentei na beirada molhando meus pés.Minha mãe percebendo o meu desalento se aproxima e diz:

_´´Minha filha,não vai nadar?Você quería tanto.``

_´´Não mamãe.Não vou.Quero ir embora``

Eu não sei porque perdeu a beleza quando me aproximei.Só sei que quando acordei, frustrada me perguntei:´´Porque nem tudo o que parece é?``

Alguns anos se passaram e na sexta-feira passada,novamente sonhei com aquele lugar.E que incrível!
O mesmo lago azul,a mesma sensação.Mas com alguns novos detalhes.Agora quando me aproximo é um pequeno lago e está dentro de uma caverna.Eu e alguns amigos pulávamos em cordas de um lado para o outro com uma sensação de liberdade e segurança.Pois se caíssemos,sería na água.Então não havía medo.
Saindo dessa caverna não vejo ás árvores.Mas há um pequeno penhasco a frente onde fazía sombra na entrada.E lá estava ele sentado ao lado de um amigo.Mas que absurdo!Como ele ousa invadir assim os meus lindos sonhos.Será que nenhum segurança em forma de nuvem irá tirar esse penétra.Ele não é mais bem vindo.
Parece que não tenho autoridade no meu próprio sonho.Pois ele persiste em ficar.Ele assim como eu, mais jovens do que agora.Me olhava sorrindo como se ainda não me conhecesse mas quisesse conhecer.Me olhava sorrindo como se nada tivesse acontecido.Então percebi que eu estava no passado mas sabendo do futuro.Ele se aproximou,estendeu a mão em cumprimento.Pensei no que víria depois disso e rapidamente me retirei.Melhor assim.

Após isso,subí por aquela escada do segundo sonho só que agora um pouco mais estreita e no lugar da casa de madeira, um ginásio.Quando chego na entrada muita gente que demonstra me conhecer vem me receber.Engraçado!Agora parece que estou no futuro sem saber do passado.
Uma amiga diz que marcou um lugar pra mim.

_´´Um lugar pra mim?Como assim?``

_´´É Andressa.Hoje é dia de assembléia.E porque você está de biquini?``

Assustada, olho pra mim e em questão de segundos estou com roupa apropriada.

Ouço um discursante falando sobre um belo lugar em que ele chama de paraíso terrestre.Onde todos os que forem leais a Deus viverão eternamente.No meu sonho eu não sei se conseguí ser um desses leais.Vai ver são sonhos do quarto episódio.Só sei que quando acordei, a Jeová Deus eu orei:´´Pai,posso ficar lá?Quero viver nesse lugar bonito!``

quarta-feira, 30 de março de 2011

O espelho não mente

´´Espelho espelho meu,existe alguém mais bela do que eu?``

Quem não conhece essa famosa frase?Afinal de contas,que criança nunca assistiu Branca de neve e os sete anões?Esta marcou minha infância.Não fui conhecida por ser uma criança bela,mas até hoje me dizem que eu era muito meiga.Será que ainda sou?Acho que não muito.
Sabe,sempre gostei de me olhar no espelho.É praticamente um hobbie.Ficaría horas me olhando se o tempo me permitisse.Não que eu tenha algum tipo de amor nacizista.Não,loge disso!Reconheço o meu humilde lugar.

Gosto na verdade é de refletir em frente ao espelho.É como se eu tivesse a necessidade de saber quem fui,o que sou e o que pretendo ser.Comparar o ´´eu`` mulher com o ´eu` menina.Do ´eu` passando minhas roupas hoje e do eu precisando que amarrem meus sapatos ontem.É,não tão ontem assim.Mas é que passou tão depressa.Costumava subir no banquinho pra me olhar no espelho.E para amolecer os dentes e ver os novos crescendo.Não pra procurar fios brancos na cabeça e ver se as rugas já deram o ar da desgraça.Sei que acabei de chegar na casa dos vinte,mas é que estava acostumada com a mudança apenas do segundo algarismo então acho que a alteração do primeiro para dois ainda me assusta.
E pensar que tem gente que já está lá no sete,oito.A estes, a minha admiração!

Uma coisa eu não posso negar,que de fato amadurecí.Mas tratarei de que seja apenas uma segunda pele que vestirei pra enfrentar as responsabílidades que a altura me dá.E colocarei pra lavar quando passar em frente ao armazém pra comprar todos os meu doces preferidos.Pra perdoar quando alguém me fizer mal.Aquelas coisas que só tem no coração de gente crescida.Pra chorar a perda.
Mesmo que não seja o filho dinossauro do tamagotchi que morreu pela manhã; ou quando perdemos aquele passeio da escola tão programado por ter perdido a hora,nem quando aquela roupa preferida já não nos cabe mais.

Todas essas situações me ensinaram que a magnitude da perda aumenta juntamente com a soma da nossa idade.Até chegarmos a velhice e perdermos o nosso bem mais valioso;a vida.

Mas enquanto isso,vou me olhando no espelho me certificando de preservar alguma coisas essênciais.Aquela menina arteira,mas amada;inocente,mas esperta;sonhadora e sobre tudo...Feliz!
Porque podemos até mentir pra nós mesmos pra ás vezes fugir de certos fatos.Mas o espelho...este não mente.Não o meu...