Biomarlene – O laudo diário de uma esquizofrênica
Biologia, bioeletricidade, bio – Isso, bio – Aquilo. A vida em suas variadas formas.
Marlene é ´´minha`` paciente. Se existe o quadro no Fantástico; Repórter Por Um Dia, por que não, psiquiatra por um dia?
Enfim, tenho sido sua observadora, quase que a estudando. Atenta a cada
hábito novo, ou estranho. Sua persistência em organizar os objetos da
mesa ao lado. Quando beija o dorso de cada um dos dedos da mão (No que
estará pensando?). Mas, os repetitivos são os
que mais me chamam a atenção. Sua obsessão em lavar as mãos. O abrir e
fechar do zip da mala. E sua reverencia diante da porta.
Mesmo com tudo isso, hoje numa conversa, pude constatar algo do que ela não sofre.
_ Marlene, se você pudesse fazer qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, o
que você queria? – Perguntei com grande expectativa. Parecida com
aquela expectativa de uma criança ao abrir o Kinder Ovo.
– Sucintamente me respondeu – Um gole de água.
Ouvindo essa inesperada resposta, engoli minha saliva juntamente com
minha auto vergonha. E permiti que aquelas doze letras me esbofeteasse.
Embora ela seja uma pessoa com sua lucidez limitada, havia sabedoria no
que ela disse.
É estranho, mas aprendi algumas coisas com essa experiência. Ao juntar
as sementes de uma mexerica nas mãos, e me preparar para jogar no lixo.
Marlene se levantou as pressas de seu leito e me censurou, dizendo: _
Não se joga sementes no lixo. Sementes se planta.
– E me fez juntar com as suas outras sementes num copo. Bio-copos, um
novo jeito de viver a vida.
Talvez, a sua condição deve ter secado o poço de suas vontades. Ou
talvez, foi a falta de vontades que a fragilizou. Mas também, havia uma
nobre alternativa; a de autossuficiência.
´´Um gole de água`` – repeti para mim mesma – Pode parecer não fazer
sentido. Você pode ter qualquer coisa, e deseja um gole de água? Tudo
bem que o problema nos reservatórios de água é preocupante. Mas o mundo
ainda não entrou em guerra por nascentes. Bem
diante dela havia uma garrafa com água fresca. Eis me aqui, beba-me!
Encaro as palavras como a um jogo de Tetris. Quer em forma de poemas,
letras de música, textos bíblicos ou um conselho amigo. Onde a mente
como os botões do controle, muda a forma que melhor se encaixa em nosso
coração. A conclusão pode ser volúvel como a
água. E prefiro encarar aquele ´um gole de água`, num entendimento
poeticamente sábio: O essencial é dádiva gratuita que desce dos céus.
Como agora, com a chuva lá fora.
Marlene e suas filhas não sabem, mas naquela noite fui dormir com mais
uma vontade da altura de uma estrela. Ver a cura mental de todos os
fragilizados.
O ritmo a música é péssimo. Me concentrei na letra:
O que sou não sei o que sei é pouco
sou morador de um planeta onde só existem loucos cada um com suas loucuras cada um com suas fissuras tem o louco doente, tem o louco que cura tem o louco que nem eu que tenta entender a vida tem o louco matador tem o louco suicida sou louco mas pouco vingativo talvez seis loucos não pensam a mesma coisa de uma vez o mais loucos de todos conseguiu voar cadê o louco que inventou a bomba nuclear? devagar posso chegar em algum lugar se correr posso cansar e nunca chegar lá todos sonham com o futuro mas teme a velhice querem enganar o tempo eu sei que é tolice todo dia é o mesmo dia só muda a data a realidade dói como o corte de uma faca tapar o sol com a peneira é atitude de covarde você fecha os olhos quando abre é tarde quero entender o ser humano é meio complicado to indo pro futuro eu vim do passado passei pelo presente foi coisa de segundos é meio complicado querer entender o mundo
Na loucura da droga perdi os sonhos da vida
na noite dos loucos perdi minha família estou dormindo no chão comendo igual um porco por causa desta vida deste mundo louco um certo dia um homem disse vou te curar disse que o álcool e as drogas eu ia largar me deu um livro cabuloso com letras douradas mas a loucura não me deixava enxergar nada eu comecei a gritar, louco, muito louco as pessoas diziam com medo, lá vai o louco tem doença que sara tem doença que cura mas quem vai curar a minha loucura estou tremendo com medo meus olhos choram será que esta loucura nunca vai embora queria ter futuro uma vida de glória mas a loucura levou a minha infância e minha história
Sou louco mais pouco, pouco pensa o louco
mas pensar em quem, se todo pensar é torto é torto pensamento que o louco tem inofensivo é o louco que não faz mau a ninguém numa camisa de força o louco foi preso será que é o louco é quem prendeu ou louco é quem tá preso dizem que o louco pensa, mas pensar em quem se o pensamento do louco é vazio também mas quem será o louco? o louco o psiquiatra que interroga o louco que não pensa o que fala, que não pensa o que fala.
*** Pacificadores - Louco***
...Andressa Kárita...
|
||||||
´´...Todos nós somos de um lugar, como de uma infância, mas para se ser de um lugar e de uma infância, é preciso escrevê-la...``_(AvóDezanove e o Segredo do Soviético)
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Biomarlene - O Laudo Diário de uma Esquizofrênica
terça-feira, 13 de março de 2012
Um Jeito Fenício de Ser
A Fenícia era expremida pelo mar e pelas montanhas.
Mas isso não impediu o seu desenvolvimento.
Que por causa disso, assumiu uma forma vertical.
A região litorânea se tornou pequena para um povo fértil em idéias.
A necessidade de explorar e se expandir fez com que eles usassem os cedros das montanhas e construissem barcos, lá do outro lado.
Isso me deu o que pensar, quando usando de metáforas, faço a Fenícia representar o centro das minhas motivações.
Curioso, não?
Mas isso não impediu o seu desenvolvimento.
Que por causa disso, assumiu uma forma vertical.
A região litorânea se tornou pequena para um povo fértil em idéias.
A necessidade de explorar e se expandir fez com que eles usassem os cedros das montanhas e construissem barcos, lá do outro lado.
Isso me deu o que pensar, quando usando de metáforas, faço a Fenícia representar o centro das minhas motivações.
Curioso, não?
domingo, 16 de outubro de 2011
Uma exceção pro rock
Os roqueiros que me perdoem, mas não gosto muito de rock.
Mas, preciso abrir uma exceção para Brind By Boring Brind.
Letra legal. Vibe massa. Video maneiro. E cantora da hora meu!!!
Me deu vontade até de faxinar a casa.
´´Para pa para pa para!!!``
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Carta de Ana Paula Tavares para Ondjaki
´´A tua carta arde-me lentamente na mãos e a queimadura é doce, como
quando lembramos um tempo antigo sem raiva e um sorriso doce
inicia o riso da nossa alma.
Todos nós somos de um lugar, como de uma infância, mas para se ser de um lugar
e de uma infância, é preciso escrevê-la...
As crianças no seu infinito´´faz de conta``, recusam o sonho partido ao meio
a meia água os lugares sombrios da vida.São mais água e não precisam perpetuar
o tempo em mausoléus, ou piramedes...Crescem pelos cantos e choram a mudança.
Gostam do sonho mesmo que este lhe rebente as mãos.
Por isso,meu caro...fizeste bem em convocar as vozes do antigamente que era
ainda ontem.Há adultos que se esquecem de crescer e andam sempre a misturar sonhos
com sal grosso para ver se explodem.As vozes são o que nos resta para ajudar a suportar
as cicatrizes que suportamos por dentro.Matéria inflável,´´Já se vê``.``_Ana Paula Tavares - (AvóDezanove e o segredo do soviético/Pág. 185,186)
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Leandro Léo - O João de Castelo Rá-Tim-Bum
Ouvindo algumas músicas do Leandro Léo fiquei tão encantada com o timbre de voz,melodia e com a letra da canção (João de Barro) que não percebí que o meu apreço pelo seu trabalho não vem de hoje.
Pois, pesquisando sobre sua vida a impressão de que eu já o conhecia, se revelou como sendo verdade, quando lí que um de seus trabalhos foi na série Castelo-Rá-Tim-Bum,como o João.
Como eu podería me esquecer?
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
sábado, 30 de julho de 2011
Quando O Cão Mía
Mesmo com a janela do meu quarto virada para a rua, o fato de minha casa ser localizada ao lado de uma pequena mata, me faz gozar do privilégio de ter o canto dos pássaros como despertador. Tento distinguir pelo canto, quem são os meus cantores despretensiosos, que o fazem com tanto esmero.
Um dia irei recepcioná-los e cantar juntamente. Pois antes mesmo de me levantar da cama, já me servem um chá calmante.
Um dia irei recepcioná-los e cantar juntamente. Pois antes mesmo de me levantar da cama, já me servem um chá calmante.
Só que naquela manhã de 29 de Julho, quando as luzes ainda fracas se atreviam a passar por entre as brechas de minha janela, antes mesmos dos próprios passarinhos aquecerem as suas asas, fui acordada por um som peculiar. Parecía a de um gato ainda bebê, oscilava entre um miado e um gemido, como se gritasse por socorro.
Movida por um senso condoído de compaixão, me desprendi dos braços e laços de minha cama, e me pus a levantar para prestar um possível socorro.
Quando de repente vejo o cãozinho recém nascido da minha cadela. O curioso é que ele não latia, nem rosnava, mas miava, que nem gato. Podería ser que estivesse aprendendo a emitir sons, se eu já não o tivesse ouvido latir. E com muito vigor.
Tomei pelas mãos aquela coisinha mais fofa e indefesa, quando através do contato com as suas patas extremamente frias, me fez ver o motivo por tanto pranto. Compadecíamos de um sofrimento em comum.
Tomei pelas mãos aquela coisinha mais fofa e indefesa, quando através do contato com as suas patas extremamente frias, me fez ver o motivo por tanto pranto. Compadecíamos de um sofrimento em comum.
Justamente, ele: O frio.
Normalmente não faço isso, mas o levei para cama comigo. Deitei ele sobre o meu braço esquerdo o envolvendo com o direito. A sua respiração ofegante foi se acalmando, ao mesmo tempo que suas patas se aqueciam. Foi quando os passarinhos se puseram a cantar. O que era um canto de despertar, se tornou um de ninar. E ele adormeceu.
Pode parecer uma cena corriqueira do dia a dia.Mas não para quem está atendo aos detalhes da vida.São esses detalhes que nos fazem viver com intensidade.
A lição que fica é: Não importa a situação em que nos encontramos. É preciso sempre ter fé. Mais cedo ou mais tarde, ela trás a benção como recompensa por nossa perseverança. E para isso, precisamos fazer a nossa parte. Emitir sons, por assim dizer.
A lição que fica é: Não importa a situação em que nos encontramos. É preciso sempre ter fé. Mais cedo ou mais tarde, ela trás a benção como recompensa por nossa perseverança. E para isso, precisamos fazer a nossa parte. Emitir sons, por assim dizer.
Mesmo com suas três semanas de vida, não resta dúvidas que foi e será o mais próximo do paraíso que aquele cãozinho sentirá.
Exatamente naquele dia em que ele, um cão, miou.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Amado - Vanessa Da Mata
Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu
Fico desejando nós gastando o mar
Pôr-do-sol, postal, mais ninguém
Peço tanto a Deus
Para esquecer
Mas só de pedir me lembro
Minha linda flor
Meu jasmim será
Meus melhores beijos serão seus
Sinto que você é ligado a mim
Sempre que estou indo, volto atrás
Estou entregue a ponto de estar sempre só
Esperando um sim ou nunca mais
É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Sinto absoluto o dom de existir,
Não há solidão, nem pena
Nessa doação, milagres do amor
Sinto uma extensão divina
É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Quero dançar com você
Dançar com você
Quero dançar com você
Dançar com você
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Saudades De Mim
Saudades De Mim
Nos devaneios de minha doce infância,achava que namoraria com dezenove, me casaria com vinte e um e aos vinte e três teria o meu primeiro filho.
Posso ver o meu semblante frustrado ao voltar no passado e me contar que vinte e tres chegaria sem nada disso acontecer.O que era importante pra mim naquela época,não tem tanta importância agora.
E se esse encontro comigo mesma fosse possível.Se de alguma forma agente pudesse se falar.Talvez conscientemente.Quem sabe...
_Oi mocinha!
_Oi!(Apressando os passos)
_Não precisa se assustar.
_Papai sempre diz pra não falar com estranhos.
_É,eu sei.Mas você não é estranha pra mim.Te conheço tão bem que posso dizer aonde você está indo e até o que pretende fazer.
Atiçado a curiosidade eu me viro pra traz e ponho a me desafiar.
_Ah é!O que é que estou indo fazer então?
_Você está indo naquele armazém em frente ao orelhão da rua de cima comprar Fandangos e Kinderovo.E está fazendo as contas pra ver se sobra algumas moedas pra comprar suspiros que é um dos meus,quer dizer, um dos seus doces preferidos.Isso antes de você conhecer Totty Bells,ou como você vai gostar de chamar: Maria mole de chocolate.
_Nossa!Mas, quem é você afinal?Como se chama?Quantos anos tem?
_Andressa
_É,o meu nome.Mas e o seu?
_Já disse.Andressa.
_Que legal!Gosto tanto de conhecer pessoas com o mesmo nome que eu.
_É,eu sei.
_Mas você não me disse ainda quem é você
_Olhe pra mim.Esperta que só você,logo descobrirá.
_Você se parece muito comigo.Hum.Você deve ser eu.Poxa!Cresci mais do que achava que cresceria.Olha você está de salto alto.Isso quer dizer que um dia finalmente vou aprender a me equilibrar nas sandálias da mamãe.Cadê o carro?
_O Carro?
_É!Igual no filme De Volta Para O Futuro.Cadê o carro do tempo?Você o escondeu fora da cidade atrás de algum arbusto perto de algum outdoors,néh?Se não alguém malvado acha e isso aqui vai virar uma bagunça que só.
_(Sorrisos)
_Porque você está sorrrindo?
_Eu pensei que seria mais difícil fazer você acreditar que eu sou você.Por um instante me esqueci que pra você tudo existe,tudo é possível.
_E não é?
_Bom,você aprenderá que,nem tudo.Mas,isso o tempo vai te mostrar aos poucos.
_Falando em tempo.Quantos anos eu tenho?Quer dizer,quantos anos você tem?
_Vinte e três
_Uau!Então, você é eu mulher.Isso é muito legal!Você não trouxe...
_O Miguel?Não,não trouxe.Ele não existe.
_Que feio!
_O que?O que eu fiz?
_Você se esqueceu do que a mamãe ensinou.Que agente não pode interromper alguém quando esta estiver falando.
_E você se esqueceu que agente não pode corrigir os mais velhos.
_É mesmo!Desculpa!Mas como você é eu isso significa que somos íntimas, não é?
_Mais íntimas, impossível!
_Você disse que o Miguelzinho não existe?Como assim?Você já tem vinte e três.Não entendo.
_Querida,preciso te dizer que ,ou você não é muito boa pra fazer planos,ou eu é que não sou muito capaz de realizá-los.
O tempo no relógio de criança passa mais devagar,te dando mais tempo pra planejar.
E quando crescemos,as responsabilidades aceleram os ponteiros e ocupam espaço no tempo que teríamos para realizar.
E ficamos assim.Com sonhos empoeirados guardados em algum baú debaixo da escada do porão.
O que queríamos,se torna apenas vontade.E depois a vontade é esquecida.
Portanto, prefiro acreditar que é a mudança de valores.
_Mudança de valores?
_Exatamente!Por exemplo:Hoje você está preocupada com aquele trabalho de português de procurar palavras sinônimas e antônimas.No meu ´hoje`, eu também estou preocupada com as palavras.Mas,em escolher as palavras certas que não firam outra pessoa.Embora não vale um sete como no seu trabalho, eu posso perder algo de muito valor: Amizade.
_Hum,entendi!E estou com medo.
_Medo?
_Éh,de ser você.Parece ser muito difícil.
_Se sobrevivi até os vinte e três,isso significa que você é forte o suficiente.
_É,eu sou forte!Até conseguí pegar a caixa de brinquedos.E olha que tinha muitos brinquedos.
_Não falo desse tipo de força.Falo da força das veias,dos olhos.Do pulso firme pra tomar decisões.De se surpreender em conseguir ver coisas que você acha que não daria conta de ver.
_Eu tentei olhar pro Sol hoje,mais depois fiquei enxergando um monte de bolinhas estalando.Mas consegui!Uns três segundos,mas consegui!
_Mas, e aí,não vai me perguntar alguma coisa do futuro?Pergunta algo.O que você quer saber?
_Hum,você tinha falado de Totty Bells,onde se compra?E essas moedas aqui dão pra comprar quantos?
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Ter Vontade Não É Querer
Eu posso muito bem ter vontade de comer um bolo, e ficar só na vontade.
Mas, se eu quero, eu vou e faço.
Pois, querer é já ter a intenção de fazer.
Já a vontade, nos faz andar em ruas cheias de gomas de mascar, sendo esses os sabores: Medo; circunstância e acomodação. Escolha uma delas, ou todas, e se torne um simples sonhador em janelas. Assistindo a sua possível vida enquanto faz bolas de chiclete.
Quem alguma coisa quer, enfrenta fila. Até arma a barraca se preciso for. Mas como um bom oportunista que é, espera em frente a porta, não da janela.
A janela é para os que tem vontade. Já a porta, para os que querem.
O ´querer` finca os nossos pés no chão. E é justamente essa realidade de não ter, que nos faz querer ter.
A vontade nos faz sonhar. Sonhos que, por sua vez, alimentam falsamente a nossa ânsia por conquista.
Bem aventurados aqueles que se contentam com a vontade. Esses, têm paz.
Então, para os desejos inconsciente que derrepente brotam da imperfeição. Me limito apenas a ter vontade.
E para aquele merecido momento com os amigos...Me faço querer.
Se for pra olhar de uma janela...Que seja a de um avião.
Se for pra olhar de uma janela...Que seja a de um avião.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Ausência
Eu deixarei que morra
em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
>Vinicius de Morais<
terça-feira, 31 de maio de 2011
Cuidado!Leões dormindo.
Era mais um passeio da escola.Dessa vez,ao zoológico.Foi bem interessante!Fiquei encantada com a beleza do tucano.Me divertí muito com os macaquinhos disputando os pedaços de frutas.E me lembro até hoje do cheiro horrível dos lobos.Harggg!!!
Mas entre tantos animais,um me chamou atenção por tamanha tristeza.O leão!
Foi quando a professora disse:´´O leão é conhecido por ser o rei da selva...``.Pensei:´´Então é isso!Está triste porque as barras de ferro não o permite impor a sua autoridade.Não há rei sem súditos.Só havía algumas formigas que corajosamente por alí trabalhavam.E que triste fim para um rei.Cobrar pedágio de formiga.``
Quando terminei o raciocínio,percebí que eu era a única por alí.Então comecei a conversar com ele como que o consolando.Acho que ele não gostou muito.Porque, coincidência ou não,olhou pra mim e rugiu.Como se dissesse:´´Calada!Não preciso da sua compaixão!``.
Respeitosamente me retirei.
De maneira similar,conheço pessoas que fazem do seu coração uma jaula.E do sentimento os seus leões.Não as condeno por isso, porque até hoje de manhã eu era uma dessas.E como já bebí dessa água, posso dizer que o medo é o pior inimigo pra quem sozinho não quer ficar.Pra ficar junto é preciso arriscar.Conciênte que se mesmo assim perder,é melhor do que perder sem tentar.
E cá pra nós.Quem consegue dominar um animal tão valente dentro de si é digno de reconhecimento pela grande força,não é mesmo?.Pq alguém assim não tem veias.E sim barras de ferro entrelaçados por todo o seu corpo.Eu tinha me esquecído que se render ao amor é a mais gloriosa derrota que podemos ter.
Já por um tempo o amor vem batendo na porta.E eu apagava as luzes e ficava em silêncio pra pensar que não havía ninguém para então ir embora.Mas de tanto bater,os leões acordaram.Oh,não!E agora?Quem poderá me salvar?
Ah,quer saber.Não quero ser salva não.
Pensando bem.Qual é a graça de amar escondido?Ou,de não amar?
Ninguém planta flores no seu quarto.Mas no jardim,para que todos vejam.E no meu quarto já não cabem mais flores.
Foi então que decidí.Quero um enorme jardim e vários leões morando nele.Quero que as borboletas voltem a me visitar.Eu quero mesmo...é amar!!!
>Só espero que eles não morram de fome.Pq os sentimentos também comem<
sábado, 28 de maio de 2011
Depressão de inverno
É só o céu ficar cinza e a temperatura gélida, pra eu enchergar todo o resto em preto e branco.
Uma enxorrada de lembranças dolorosas e pensamentos pessimistas inunda minha mente. Fico carente. E como um peixe no aquário, sem ter pra onde ir. O meu semáforo de atitude fica travado no vermelho. Perdida e confusa, assumo o papel de espectadora da vida alheia.
Mãos frias, coração quente, certo? Errado! A crise é temporária mais é generalizada. Não há casaco, não há meia que esquente uma mente inconsolável.
Nenhum sentimento a ser expresso.Viro hóspede no quarto dos egoísta e orgulhoso. Se ninguém vem a mim. O mim permanece *sozim*
E assim, vivo a mais comum controvérsia. O estar sozinha bem no meio da multidão.
Já que a minha presença não faz muita diferença. Procuro em anúncios de jornais alguma ´´caverna`` pra que eu possa ´´invernar``. Quem sabe ao menos assim encontro descanso nos meus sonhos. Pois dormir parece um bom remédio para hipotermia sentimental.
Me deito e a marcha fúnebre se torna a minha canção de ninar. E o meu cobertor, o meu único aconchego. Pois os braços de todos parecem estar ocupados demais para abraçar uma alma recém deprimida.
Ah, um abraço! No momento me parece a única coisa boa pra se ter. Que saudade que tenho de um verdadeiro e sincero abraço. Daqueles bem apertados e demorado.
Quem sabe alguém traga o sol no abraço e me mostre que na verdade a depressão de inverno não passa de um período em que todos estão preocupados em aquecer a si próprio,sem saber que quando aquecemos o próximo...o calor chega mais rápido.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Um sonho em série
Quando criança tive um sonho que o tempo não me deixa esquecer.
Não que eu quisesse.Pois foi muito bom e interessante.
Estávamos em uma viagem em família.E ao lado direito podíamos ver um lago azul muito lindo.
E ao fundo havíam árvores de pinheiros cumpridos parecidos com aquelas do Canadá.
Uma paisagem belíssima!
Encantada,pedí para meu pai:
_´´Pai,posso ficar alí?Quero viver naquele lugar bonito.``
_´´Não minha filhinha.Não podemos.Precisamos chegar a tempo e já estamos atrasados.``
No meu sonho não sabía para onde estávamos indo.Só sei que quando acordei desejosa pensei:´´Eu quería tanto que aquele lugar existisse!``
Na pré-adolescência novamente sonhei com a mesma paisagem.Só que dessa vez meu pai parou o carro e descemos por um trilheiro.Todos os membros da família.Que na época éramos cinco.E nos deparamos com uma casa de madeira.E só podíamos conseguir acesso ao lago passando por uma escada que tinha do outro lado dessa casa.Pois bem,descemos a escada.Mas estranhamente não era mais lago era mar,e não era azul e sim verde.E havíam homens em barcos pescando.Era bonito mais não como quando vía lá da estrada.Decepcionada, me sentei na beirada molhando meus pés.Minha mãe percebendo o meu desalento se aproxima e diz:
_´´Minha filha,não vai nadar?Você quería tanto.``
_´´Não mamãe.Não vou.Quero ir embora``
Eu não sei porque perdeu a beleza quando me aproximei.Só sei que quando acordei, frustrada me perguntei:´´Porque nem tudo o que parece é?``
Alguns anos se passaram e na sexta-feira passada,novamente sonhei com aquele lugar.E que incrível!
O mesmo lago azul,a mesma sensação.Mas com alguns novos detalhes.Agora quando me aproximo é um pequeno lago e está dentro de uma caverna.Eu e alguns amigos pulávamos em cordas de um lado para o outro com uma sensação de liberdade e segurança.Pois se caíssemos,sería na água.Então não havía medo.
Saindo dessa caverna não vejo ás árvores.Mas há um pequeno penhasco a frente onde fazía sombra na entrada.E lá estava ele sentado ao lado de um amigo.Mas que absurdo!Como ele ousa invadir assim os meus lindos sonhos.Será que nenhum segurança em forma de nuvem irá tirar esse penétra.Ele não é mais bem vindo.
Parece que não tenho autoridade no meu próprio sonho.Pois ele persiste em ficar.Ele assim como eu, mais jovens do que agora.Me olhava sorrindo como se ainda não me conhecesse mas quisesse conhecer.Me olhava sorrindo como se nada tivesse acontecido.Então percebi que eu estava no passado mas sabendo do futuro.Ele se aproximou,estendeu a mão em cumprimento.Pensei no que víria depois disso e rapidamente me retirei.Melhor assim.
Após isso,subí por aquela escada do segundo sonho só que agora um pouco mais estreita e no lugar da casa de madeira, um ginásio.Quando chego na entrada muita gente que demonstra me conhecer vem me receber.Engraçado!Agora parece que estou no futuro sem saber do passado.
Uma amiga diz que marcou um lugar pra mim.
_´´Um lugar pra mim?Como assim?``
_´´É Andressa.Hoje é dia de assembléia.E porque você está de biquini?``
Assustada, olho pra mim e em questão de segundos estou com roupa apropriada.
Ouço um discursante falando sobre um belo lugar em que ele chama de paraíso terrestre.Onde todos os que forem leais a Deus viverão eternamente.No meu sonho eu não sei se conseguí ser um desses leais.Vai ver são sonhos do quarto episódio.Só sei que quando acordei, a Jeová Deus eu orei:´´Pai,posso ficar lá?Quero viver nesse lugar bonito!``
Não que eu quisesse.Pois foi muito bom e interessante.
Estávamos em uma viagem em família.E ao lado direito podíamos ver um lago azul muito lindo.
E ao fundo havíam árvores de pinheiros cumpridos parecidos com aquelas do Canadá.
Uma paisagem belíssima!
Encantada,pedí para meu pai:
_´´Pai,posso ficar alí?Quero viver naquele lugar bonito.``
_´´Não minha filhinha.Não podemos.Precisamos chegar a tempo e já estamos atrasados.``
No meu sonho não sabía para onde estávamos indo.Só sei que quando acordei desejosa pensei:´´Eu quería tanto que aquele lugar existisse!``
Na pré-adolescência novamente sonhei com a mesma paisagem.Só que dessa vez meu pai parou o carro e descemos por um trilheiro.Todos os membros da família.Que na época éramos cinco.E nos deparamos com uma casa de madeira.E só podíamos conseguir acesso ao lago passando por uma escada que tinha do outro lado dessa casa.Pois bem,descemos a escada.Mas estranhamente não era mais lago era mar,e não era azul e sim verde.E havíam homens em barcos pescando.Era bonito mais não como quando vía lá da estrada.Decepcionada, me sentei na beirada molhando meus pés.Minha mãe percebendo o meu desalento se aproxima e diz:
_´´Minha filha,não vai nadar?Você quería tanto.``
_´´Não mamãe.Não vou.Quero ir embora``
Eu não sei porque perdeu a beleza quando me aproximei.Só sei que quando acordei, frustrada me perguntei:´´Porque nem tudo o que parece é?``
Alguns anos se passaram e na sexta-feira passada,novamente sonhei com aquele lugar.E que incrível!
O mesmo lago azul,a mesma sensação.Mas com alguns novos detalhes.Agora quando me aproximo é um pequeno lago e está dentro de uma caverna.Eu e alguns amigos pulávamos em cordas de um lado para o outro com uma sensação de liberdade e segurança.Pois se caíssemos,sería na água.Então não havía medo.
Saindo dessa caverna não vejo ás árvores.Mas há um pequeno penhasco a frente onde fazía sombra na entrada.E lá estava ele sentado ao lado de um amigo.Mas que absurdo!Como ele ousa invadir assim os meus lindos sonhos.Será que nenhum segurança em forma de nuvem irá tirar esse penétra.Ele não é mais bem vindo.
Parece que não tenho autoridade no meu próprio sonho.Pois ele persiste em ficar.Ele assim como eu, mais jovens do que agora.Me olhava sorrindo como se ainda não me conhecesse mas quisesse conhecer.Me olhava sorrindo como se nada tivesse acontecido.Então percebi que eu estava no passado mas sabendo do futuro.Ele se aproximou,estendeu a mão em cumprimento.Pensei no que víria depois disso e rapidamente me retirei.Melhor assim.
Após isso,subí por aquela escada do segundo sonho só que agora um pouco mais estreita e no lugar da casa de madeira, um ginásio.Quando chego na entrada muita gente que demonstra me conhecer vem me receber.Engraçado!Agora parece que estou no futuro sem saber do passado.
Uma amiga diz que marcou um lugar pra mim.
_´´Um lugar pra mim?Como assim?``
_´´É Andressa.Hoje é dia de assembléia.E porque você está de biquini?``
Assustada, olho pra mim e em questão de segundos estou com roupa apropriada.
Ouço um discursante falando sobre um belo lugar em que ele chama de paraíso terrestre.Onde todos os que forem leais a Deus viverão eternamente.No meu sonho eu não sei se conseguí ser um desses leais.Vai ver são sonhos do quarto episódio.Só sei que quando acordei, a Jeová Deus eu orei:´´Pai,posso ficar lá?Quero viver nesse lugar bonito!``
quarta-feira, 30 de março de 2011
O espelho não mente
´´Espelho espelho meu,existe alguém mais bela do que eu?``
Quem não conhece essa famosa frase?Afinal de contas,que criança nunca assistiu Branca de neve e os sete anões?Esta marcou minha infância.Não fui conhecida por ser uma criança bela,mas até hoje me dizem que eu era muito meiga.Será que ainda sou?Acho que não muito.
Sabe,sempre gostei de me olhar no espelho.É praticamente um hobbie.Ficaría horas me olhando se o tempo me permitisse.Não que eu tenha algum tipo de amor nacizista.Não,loge disso!Reconheço o meu humilde lugar.
Gosto na verdade é de refletir em frente ao espelho.É como se eu tivesse a necessidade de saber quem fui,o que sou e o que pretendo ser.Comparar o ´´eu`` mulher com o ´eu` menina.Do ´eu` passando minhas roupas hoje e do eu precisando que amarrem meus sapatos ontem.É,não tão ontem assim.Mas é que passou tão depressa.Costumava subir no banquinho pra me olhar no espelho.E para amolecer os dentes e ver os novos crescendo.Não pra procurar fios brancos na cabeça e ver se as rugas já deram o ar da desgraça.Sei que acabei de chegar na casa dos vinte,mas é que estava acostumada com a mudança apenas do segundo algarismo então acho que a alteração do primeiro para dois ainda me assusta.
E pensar que tem gente que já está lá no sete,oito.A estes, a minha admiração!
Uma coisa eu não posso negar,que de fato amadurecí.Mas tratarei de que seja apenas uma segunda pele que vestirei pra enfrentar as responsabílidades que a altura me dá.E colocarei pra lavar quando passar em frente ao armazém pra comprar todos os meu doces preferidos.Pra perdoar quando alguém me fizer mal.Aquelas coisas que só tem no coração de gente crescida.Pra chorar a perda.
Mesmo que não seja o filho dinossauro do tamagotchi que morreu pela manhã; ou quando perdemos aquele passeio da escola tão programado por ter perdido a hora,nem quando aquela roupa preferida já não nos cabe mais.
Todas essas situações me ensinaram que a magnitude da perda aumenta juntamente com a soma da nossa idade.Até chegarmos a velhice e perdermos o nosso bem mais valioso;a vida.
Mas enquanto isso,vou me olhando no espelho me certificando de preservar alguma coisas essênciais.Aquela menina arteira,mas amada;inocente,mas esperta;sonhadora e sobre tudo...Feliz!
Porque podemos até mentir pra nós mesmos pra ás vezes fugir de certos fatos.Mas o espelho...este não mente.Não o meu...
Quem não conhece essa famosa frase?Afinal de contas,que criança nunca assistiu Branca de neve e os sete anões?Esta marcou minha infância.Não fui conhecida por ser uma criança bela,mas até hoje me dizem que eu era muito meiga.Será que ainda sou?Acho que não muito.
Sabe,sempre gostei de me olhar no espelho.É praticamente um hobbie.Ficaría horas me olhando se o tempo me permitisse.Não que eu tenha algum tipo de amor nacizista.Não,loge disso!Reconheço o meu humilde lugar.
Gosto na verdade é de refletir em frente ao espelho.É como se eu tivesse a necessidade de saber quem fui,o que sou e o que pretendo ser.Comparar o ´´eu`` mulher com o ´eu` menina.Do ´eu` passando minhas roupas hoje e do eu precisando que amarrem meus sapatos ontem.É,não tão ontem assim.Mas é que passou tão depressa.Costumava subir no banquinho pra me olhar no espelho.E para amolecer os dentes e ver os novos crescendo.Não pra procurar fios brancos na cabeça e ver se as rugas já deram o ar da desgraça.Sei que acabei de chegar na casa dos vinte,mas é que estava acostumada com a mudança apenas do segundo algarismo então acho que a alteração do primeiro para dois ainda me assusta.
E pensar que tem gente que já está lá no sete,oito.A estes, a minha admiração!
Uma coisa eu não posso negar,que de fato amadurecí.Mas tratarei de que seja apenas uma segunda pele que vestirei pra enfrentar as responsabílidades que a altura me dá.E colocarei pra lavar quando passar em frente ao armazém pra comprar todos os meu doces preferidos.Pra perdoar quando alguém me fizer mal.Aquelas coisas que só tem no coração de gente crescida.Pra chorar a perda.
Mesmo que não seja o filho dinossauro do tamagotchi que morreu pela manhã; ou quando perdemos aquele passeio da escola tão programado por ter perdido a hora,nem quando aquela roupa preferida já não nos cabe mais.
Todas essas situações me ensinaram que a magnitude da perda aumenta juntamente com a soma da nossa idade.Até chegarmos a velhice e perdermos o nosso bem mais valioso;a vida.
Mas enquanto isso,vou me olhando no espelho me certificando de preservar alguma coisas essênciais.Aquela menina arteira,mas amada;inocente,mas esperta;sonhadora e sobre tudo...Feliz!
Porque podemos até mentir pra nós mesmos pra ás vezes fugir de certos fatos.Mas o espelho...este não mente.Não o meu...
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